Sábado, Abril 29, 2006

Retratos de Aljezur XIII

Terça-feira, Abril 25, 2006

Ruínas


O teu corpo cobria-se de flores de cerejeira
E eu celebrava-te como a mais profunda ausência de mim

Segunda-feira, Abril 24, 2006

Retratos de Aljezur XII


Amoreira, 2006

Sábado, Abril 22, 2006

5 Meses a escancarar portas

Sexta-feira, Abril 21, 2006

Cores de Berenice

Quinta-feira, Abril 20, 2006

Trincapregos #

Lembro-me de cascatas de águas limpas e frescas
de regatos ao fundo de declives abruptos onde se arregaçavam as calças e deleitavam os pés
Lembro-me ainda do mar num Março quente, do seu fragor abatido chamando da eternidade das noite sem sono

Lembro-me de tudo isto e de que andavas por lá...

Bem vindo, meu bom amigo!

# velhaco e grandiloquente, o de Albert Cohen

Segunda-feira, Abril 17, 2006

Splendor in the grass

"...The radiance which was once so bright
Is now forever taken from my sight.
Though nothing can bring back the hour of splendor in the grass
Of glory in the flower
We will grieve not
Rather find strength in what remains behind."



A primeira vez que vemos Deanie (fremente Natalie Wood) a recitar o poema de William Wordsworth já os corpos se desuniram, o dela com o de Bud (Warren Beatty, que aqui se estreava com um fulgor que só repetiria em Bonnie and Clyde, de Arthur Penn), aturdidos pelo conflito que desperta entre o desejo que irrompe e o puritanismo que o cerceia. Boys don't respect a girl they can go all the way with, boys want a nice girl for a wife, dissera-lhe a mãe. Essa primeira vez é o que exacerba nela a vontade de cair - como se
apenas através da entrega, a um passo da morte, pudesse superar a inevitabilidade inscrita no poema. E o cenário onde a morte espreita é aqui o mesmo onde pela primeira vez vemos irromper o desejo: a queda d'água. Morte que não chega a ser. Morte simbólica. Tempo para o tempo fazer o seu trabalho: segurar a realidade pelas pontas.

No fim, depois de reencontrar Bud já casado, Deanie volta a dizer o poema - a voz em off, como se o ouvisse dentro de si. Tudo se aquietou. O buraco deixado pelo desejo é preenchido pela luz muito branca da realidade. A felicidade, disseram-no ambos, é algo no qual já não se pensa muito.
Elia Kazan pode ter sido um filho da puta dum delator mas filmou o desejo, os seus abismos de luz, como poucos

Segunda-feira, Abril 03, 2006

Days Of Being Wild

Ao segundo filme, surgia pela primeira vez no cinema de Wong Kar Wai o bailado de figuras sonâmbulas em deriva pelas cidades. Cidades estranhas, pois é também aqui que pela primeira vez o espaço parece desaparecer, apagando-se sob o efeito de um tempo totalitário, narcotizante. Um tempo que só aparentemente é excesso de presente - o passado pode ser apenas um fantasma (aqui, uma mãe desconhecida), mas é aquilo que aprisiona todas as figuras do belíssimo cinema de Wong Kar Wai

De que te lembras daquele minuto da tua vida?