Quinta-feira, Setembro 29, 2005
Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Retratos de Aljezur II
Mais um pouco e não restará ninguém. As casas, uma a uma, engolirão os seus habitantes. As ruas, desertas, encher-se-ão de uma gravidade insone, branca, sem memória.
Sexta-feira, Setembro 23, 2005
Fundão - a propósito de eleições autárquicas


É um caso assinalável de boa gestão autárquica neste país de patos bravos. Com a recuperação do património arquitectónico e etnográfico - as aldeias do xisto, a aldeia histórica de Castelo Novo, o Palácio do Picadeiro, as estações de caminho de ferro; o Chocalhos-Festival da Transumância, o Festival do Vento... Com a criação de uma rede de polos culturais convergentes para um centro - a Moagem-Casa da Cultura - abertos ao exterior, ao novo - as residências artísticas, o Imago...
Se a cultura é de alguma forma aquilo que fica depois da morte - o despovoamento dos campos, a perda de peso da actividade produtiva, o desaparecimento de um modo de vida - a verdade é que é também aquilo que mais se assemelha à vida. Pelo menos, à possibilidade de uma segunda vida - seja como simulacro ou como renovação.
Fosse eu eleitor inscrito no Fundão e o meu voto seria depositado com gosto!
Se a cultura é de alguma forma aquilo que fica depois da morte - o despovoamento dos campos, a perda de peso da actividade produtiva, o desaparecimento de um modo de vida - a verdade é que é também aquilo que mais se assemelha à vida. Pelo menos, à possibilidade de uma segunda vida - seja como simulacro ou como renovação.
Fosse eu eleitor inscrito no Fundão e o meu voto seria depositado com gosto!
Terça-feira, Setembro 20, 2005
Retratos de Aljezur I
Tão plácidos estes fins de tarde aqui no largo! Um café, um livro, um malamute do Alasca chamado Zorba que se passeia como verdadeiro senhor do território; um puto minúsculo, loiro e de olhos azuis, a fazer cabriolas sob um alpendre; ao fundo, à sombra, um casal com as mochilas no chão, descansando e bebendo cerveja. Tudo mergulhado numa luz ainda forte - aqui, onde estou, na parte mais alta, uma luz coada por duas pequenas árvores. Uma luz que cava uma distância nesta proximidade quase táctil em que tudo parece suspenso; que faz destas pessoas criaturas de sonho, pairantes, musicais.












